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Partículas 은/는 e 이/가 em coreano: a que faz todo mundo tropeçar

As duas marcam o sujeito e não são intercambiáveis. Esta é a regra que funciona de verdade.

Nesta página
  1. A versão curta — e um conceito que o português não tem
  2. Informação nova leva 이/가. Informação conhecida leva 은/는.
  3. O verbo decide a partícula — não a sua tradução
  4. 은/는 insinua um contraste, mesmo calado
  5. A palavra interrogativa que é sujeito leva 이/가 — e a resposta a conserva
  6. Onde 은/는 não marca sujeito nenhum
  7. Seis erros de quem fala português
  8. Como criar o instinto

A versão curta — e um conceito que o português não tem

O português não tem partículas grudadas no substantivo para marcar o papel dele: você reconhece o sujeito pela posição e pela concordância (ele come, eles comem).

O coreano usa uma sílaba grudada logo depois do substantivo — e tem duas para o mesmo sujeito. 이/가 aponta para o sujeito e diz este aqui. 은/는 o põe em destaque, como quem diz quanto a este… — quase sempre com um contraste escondido atrás.

Essa é a ideia inteira; o resto é como ela aparece em frases reais. Antes de tudo: escolher entre 은 e 는, ou entre 이 e 가, é só questão de som — 은 e 이 depois de consoante, 는 e 가 depois de vogal. Isso é mecânico; em uma semana você para de pensar nisso.

있어요Tem um livro. — apontando para ele
있어요Livro, tem. — …já a caneta, talvez não
했어요Fui eu que fiz. — não outra pessoa; 저 + 가 vira 제가
했어요Quanto a mim, eu fiz. — e você?

Repare no que o português precisou fazer: para 이/가, uma frase clivada (fui eu que…) ou um artigo indefinido (um livro); para 은/는, a vírgula de tópico (livro, tem), quanto a… ou o de contraste. Esses recursos servem de apoio — mas apoio não é equivalência.

Em português são marcados, coisa de ênfase; em coreano, 은/는 e 이/가 entram em qualquer frase neutra, sem pausa nem tom especial. Por escrito e na fala cuidada, você não escolhe se vai marcar, e sim qual das duas — na conversa a partícula cai com frequência.

Informação nova leva 이/가. Informação conhecida leva 은/는.

Este é o teste mais confiável, e explica por que o mesmo substantivo troca de partícula dentro de uma história curta.

옛날에 할머니 살았어요.Era uma vez uma avó. — primeira menção, novidade para quem ouve
그 할머니 아주 친절했어요.A avó era muito gentil. — o 그 é aquela; agora ela já é conhecida

O português faz isso com os artigos: uma avó, depois a avó. O coreano não tem artigos, então parte desse trabalho cai sobre a partícula. Se você já se perguntou onde o coreano esconde o um e o o, é aqui — com a ressalva de que 은/는 marca tópico, não definição.

O verbo decide a partícula — não a sua tradução

A maior parte da confusão entre 은/는 e 이/가 é questão de tópico e foco. Esta seção trata de outro problema, para muita gente maior: alguns verbos coreanos simplesmente exigem uma partícula específica, e não é a que a sua frase em português sugere — procurar uma partícula para cada preposição (gostar de, precisar de) não funciona.

친구 만나요.Encontro um amigo. — objeto direto dos dois lados
커피 좋아해요.Gosto de café. — o de não vira nada; 좋아하다 pede
필요해요.Preciso de água. — 필요하다 pede 이/가: água é necessária
의사 됐어요.Virei médico. — 되다 pede , não 를
한국어 잘해요.Sou bom em coreano. — 잘하다 pede ; é verbo, não adjetivo
저는 학생 아니에요.Não sou estudante. — 아니다 pede 이/가

Há mais um par que vale separar cedo. 좋다 é adjetivo (“ser bom, agradar”) e pede 이/가; 좋아하다 é verbo (“gostar”) e pede 을/를. Apoio bom: 좋다 funciona como agradar — a coisa apreciada é o sujeito (o café me agrada) —, e 좋아하다 como gostar, mas sem o de.

저는 커피 좋아요.Gosto de café. — literalmente “o café é bom (para mim)”
저는 김치 좋아해요.Gosto de kimchi. — 좋아하다 é transitivo

Nada disso sai de uma regra. Aprenda o verbo e a partícula como um bloco só친구를 만나다, 버스를 타다, 의사가 되다 — do mesmo jeito que aprendeu gostar de, e não gostar mais uma preposição escolhida depois.

은/는 insinua um contraste, mesmo calado

Mesmo quando nenhum segundo item é mencionado, 은/는 faz quem ouve sentir que ele vem aí — a sensação de kimchi, eu gosto, que deixa no ar um agora o resto…. Por isso uma frase de aparência inocente pode cair torto.

김치 좋아해요.Kimchi, eu gosto… — o resto, nem tanto
김치 좋아해요.Gosto de kimchi. — afirmação plana, sem segundas intenções

Se algum coreano já respondeu ao seu elogio com um sorriso meio torto, talvez seja por isso: 한국어는 잘하시네요 soa como coreano, pelo menos, você fala bem.

A palavra interrogativa que é sujeito leva 이/가 — e a resposta a conserva

Uma palavra interrogativa leva 이/가 quando ela é o sujeito (누가 왔어요? · 뭐가 좋아요? · 어디가 아파요?), porque o sentido da pergunta é justamente esse sujeito desconhecido, e a resposta mantém 이/가 por fornecer exatamente esse desconhecido.

Nos outros casos ela leva outra partícula ou nenhuma — 어디 가요?, 어디에서 만나요?, 뭐 먹었어요?. Em português o que se aproxima é a resposta clivada: Quem veio? — Foi o meu irmão.

왔어요?Quem veio? — 누구 + 가 vira 누가
동생 왔어요.Foi o meu irmão mais novo. — 동생 vale para irmão ou irmã; a resposta fornece o desconhecido
동생 왔어요.O meu irmão, esse veio. — responde a outra pergunta

Onde 은/는 não marca sujeito nenhum

은/는 se prende ao tópico, e o tópico não precisa ser o sujeito. Pode estar num tempo, num lugar ou num objeto. 이/가 não faz isso. A vírgula de tópico vai aos mesmos lugares: hoje, …, aqui, …, isso, …

오늘 바빠요.Hoje, estou ocupado. — diferente de outros dias
여기 처음이에요.Aqui, é a minha primeira vez.
그건 저 몰라요.Isso, eu não sei. — outra pessoa talvez saiba

Seis erros de quem fala português

Como criar o instinto

Regra passa você numa prova. O que torna a escolha automática é ouvir o mesmo padrão centenas de vezes com sentido junto. O shadowing funciona aqui justamente por a partícula ser átona e fácil de pular na leitura — dizer a frase obriga você a produzi-la.

Pratique com frases curtas em que uma única partícula muda o sentido, e diga as duas versões em voz alta. O conjunto abaixo vem de frases de vídeo, para você ouvir cada uma em contexto.

Quando 은/는 e 이/가 deixarem de custar pensamento, as próximas quatro famílias são 을/를, 에 e 에서, (으)로 e 도/만/부터/까지 — onde a ação acontece, sobre o que ela recai e como.

Pratique isto

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